Após semanas em que as atenções estiveram voltadas para os testes de Nelsinho Piquet, o torcedor brasileiro agora começa a se perguntar também sobre o futuro de Rubens Barrichello na Fórmula 1. Rubinho possuí contrato com a Ferrari até 2004 e ao final do ano terá como caminho a Williams ou uma renovação com o time de Maranello.
Seja Williams ou Ferrari, o mais importante é saber que o mais importante nome do país na categoria desde Ayrton Senna continuará no cockpit de uma equipe grande, em 2005. Parece pretensão seu futuro estar atrelado a tais potências, mas a verdade é que o brasileiro ainda é muito bem visto no paddock da Fórmula 1.
A questão Williams, que vinha desde o anuncio da transferência de Juan Pablo Montoya para a McLaren, em 2005, ganhou força com as recentes confusões entre dirigentes da equipe e Ralf Schumacher. O relacionamento entre ambos parece ter azedado de vez e o caminho do alemão ao final do próximo campeonato deverá ser a Toyota. E ainda vale lembrar que Frank Williams é um confesso admirador de Rubinho.
Mais que um prêmio ao excelente trabalho, correr na Williams seria um avanço significativo na carreira de Rubens. Não propriamente no sentido equipamento, mas sim “liberdade de trabalho”. Historicamente, a equipe de Groove não é dotada de uma política protecionista. Pelo contrário. Basta lembrar das guerras entre Alan Jones e Carlos Reutemann (1981), Nelson Piquet e Nigel Mansell (1986), além da mais recente, travada por Schumaquinho e Juanito nos últimos três anos.
Guerra, aliás era o que não iria acontecer, fosse Webber, Button, Da Matta, Nelsinho, George Bush, Saddam Hussein ou qualquer um seu companheiro de equipe. Barrichello amadureceu demais nesses quatro anos de Ferrari. Como piloto e pessoa. Mostrou que é capaz de aceitar difíceis decisões, como nas duas ocasiões em que teve de ceder posição para Schumacher, na Áustria. É político, não expõe mais seu descontentamento às câmeras e microfones.
Certamente o melhor exemplo de sua evolução emocional aconteceu após a (absurda) acusação de que sua condução agressiva foi responsável pela quebra de um braço de suspensão, no GP da Hungria. Ficou calado todo o tempo, evitou polêmicas e falou que, se necessário fosse, ajudaria Michael Schumacher na próxima corrida.
Dentro das pistas, colocou mais arrojo em sua condução. Longe de ter sido seu melhor ano, o paulista mostrou ótimo desempenho. Venceu duas corridas de maneira madura e brilhante, executou ultrapassagens impressionantes e tornou-se o único piloto na história que conseguiu superar Schumacher em classificações. Em média, o brasileiro foi 115 milésimos mais veloz que o alemão.
Também traria informações importantes sobre a ex-equipe e sentaria num Williams para acelerar e tentar, de maneira obstinada e raçuda, repetir o feito dos compatriotas Fittipaldi, Piquet e Senna.
Diante disso, a Ferrari contra-atacou nessa semana. Após superar a situação difícil a que foi exposto, como na Hungria, a renovação de Schumacher por mais dois anos – consequente a necessidade de um piloto que aceite o rótulo de escudeiro – e a decisiva vitória em Suzuka, Barrichello “recuperou” o crédito com a cúpula de Maranello. O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, garantiu em declaração ao jornal italiano La Gazetta dello Sport que “não há companheiro melhor para Michael Schumacher que Rubens”. Disse também que “estamos conversando e, na melhor oportunidade, assinaremos”. Fortes boatos garantem até que o vice-campeão de 2002 já teria interrompido suas negociações com a equipe inglesa para assinar um novo contrato, com cifras bem mais doces.
Rubens Barrichello pode estar mais perto da Ferrari, mas ainda tem o futuro em suas próprias mãos. Ele poderá escolher entre vencer corridas e ganhar muito dinheiro ou vencer corridas e lutar por campeonatos. Aliás, não nego que torço mesmo é pela segunda opção.
Mandando um alô – Para o grande amigo Wilton Neto, que recentemente conquistou o título do carioca de turismo, na Copa Gol. Uma conquista merecida para um sujeito simpático, batalhador e extremamente talentoso.
Mandando um alô – Para o leitor amigo Joarez Dias de Carvalho, de Foz Iguaçu (PR).
Feliz natal, feliz ano novo – Essa foi minha última coluna nesse velho 2003. Entrarei num período popularmente conhecido como férias. Utilizarei esse tempo não somente para “recarregar as baterias”, mas para analisar meu trabalho durante os últimos 12 meses e buscar melhorar. Além disso, também organizarei e tentarei viabilizar alguns projetos para 2004. E por falar no próximo ano, desejo feliz natal e ano novo para vocês. Que Deus nos proporcione muita saúde para continuarmos em busca de nossos objetivos.
Grande abraço e até breve.