Recuperação de Bruno Junqueira exigirá cirurgia

Foram mais de 1.500 voltas completadas em Indianápolis ao longo de quatro participações e, em nenhuma delas, qualquer acidente. Prova de que não basta apenas fazer sua parte em uma das mais tradicionais provas do automobilismo mundial, o mineiro Bruno Junqueira (Banco Rural/RM Sistemas/Telemont/Telesena) deu adeus às chances reais de brigar pelo pódio na 89ª edição das 500 Milhas após uma batida assustadora – talvez a mais forte ao longo de todo o mês de preparação e treinos para a corrida.

Depois de largar em 12º e, com uma estratégia consciente e o trabalho perfeito da Newman-Haas nos pitstops (liderou inclusive a 58ª volta), Bruno, com seu Panoz/Honda vinha em sexto, aproximando-se do norte-americano Buddy Lazier e sem perder o contato com o pelotão de líderes. Ao buscar uma ultrapassagem de rotina sobre o retardatário A.J.Foyt IV que, ao contrário do avô, quatro vezes campeão, não demonstra o mesmo talento, o mineiro, que já estava com o carro à frente, na curva 2, foi tocado de forma inexplicável. Foyt fechou a trajetória e fez com que, a mais de 350 quilômetros horários, Bruno batesse violentamente de frente na barreira especial de proteção (Safer Barrier). Embora o chassi tenha resistido ao violento impacto, todo o resto do carro praticamente se desintegrou.

Após uma angustiante expectativa por notícias e o trabalho cuidadoso da equipe de resgate, Bruno foi retirado do carro e encaminhado para o centro médico do Indianapolis Motor Speedway. Consciente, Junqueira, após reclamar de dor na região lombar, foi levado em uma ambulância para o Hospital Metodista, a poucos quilômetros da pista e referência mundial no atendimento a este tipo de incidente. Exames mais detalhados constataram a existência de uma pequena trinca em uma das vértebras, que exigirá um procedimento cirúrgico, previsto para esta segunda-feira.

Bruno, que permanecerá internado no Hospital Metodista, será operado pelo medico Terry Trammell, um dos maiores especialistas em ortopedia do planeta, responsável, entre outros, pela recuperação de pilotos como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, além de, por vários anos, supervisionar as equipes médicas da CART e da IRL. Embora não se trate de um procedimento de maior gravidade, ainda não há como estimar o retorno do mineiro às pistas, o que só deverá ser feito conforme as condições do pós-operatório. Mostra de que não seria um bom ano para a Newman-Haas em Indianápolis, Sebastien Bourdais, companheiro de equipe de Bruno, provocou a última bandeira amarela da prova, também em um acidente forte. A vitória – primeira nas 500 Milhas –, ficou com o britânico Dan Wheldon, da Andretti-Green, seguido pelo brasileiro Vítor Meira, da Rahal-Letterman.