Lenda da Fórmula 1 e fundador da equipe Williams, Frank Williams morreu no último domingo aos 79 anos de idade. O chefe de equipe passou os últimos 35 anos de sua vida preso a uma cadeira de rodas após um acidente de carro quando saia de um teste em Paul Ricard, na França.
Esportista ativo, ele teve que se acostumar com uma vida diferente desde 1986, e usou sua experiência para ajudar o tricampeão das 500cc Wayne Rainey após o acidente que o deixou paraplégico no GP da Itália de 1993.
“Depois da minha lesão, tive que fazer uma operação nas costas para colocar algumas hastes”, disse Rainey ao site da Autosport.
“Fiquei basicamente engessado por umas seis semanas no hospital. E então, de lá, quando eles removeram tudo, fui capaz de ir para o que eles chamam de instalação de reabilitação – e é onde o verdadeiro trabalho começa. É aí que você aprende como é viver sua vida em uma cadeira de rodas e todos os desafios, desde se alimentar até se vestir e todas as outras coisas.”
“Acho que fiquei seis semanas no primeiro hospital, mas na clínica de reabilitação eles me queriam lá por dois meses. Fiquei lá três semanas e então recebi uma mensagem de que Frank (Williams) gostaria de me visitar. Naquela época eu estava meio que tentando descobrir como minha vida seria.”
“E então quando Frank chegou e eu vi como ele se portava… ele entrou no meu quarto onde eu estava hospedado e eu vi a confiança que ele tinha e foi um momento de mudança de vida para mim, porque ele basicamente me disse: ‘Wayne, você está basicamente fodido, mas a melhor coisa que você pode fazer é voltar lá e fazer o que você ama fazer: competir’.”
Rainey afirma “não ter olhado para trás” após as palavras de Williams, e desenvolveu na época uma relação próxima com o britânico. Após isso, Rainey criou um time de 250cc que subiu para a 500cc entre 1994 e 1998. Depois, ele voltou para os Estados Unidos para ficar próximo da família, ajudou a MotoGP a retornar ao país em Laguna Seca em 2005 e desde 2015 é presidente do MotoAmerica, que organiza campeonatos de motovelocidade nacionais nos EUA e tem revelado pilotos para o mundial, como Joe Roberts, Cameron Beaubier e Garrett Gerloff.
“Na verdade, visitei Frank algumas vezes em sua fábrica e fui a algumas corridas de F1 como seu convidado e saí com ele”, acrescentou Rainey.
“Com Frank e eu, na maior parte do relacionamento, a primeira coisa que ele sempre dizia quando conversávamos era ‘como está sua saúde?’ Todas as vezes, ele parecia estar genuinamente preocupado. Porque se a sua saúde estiver boa, você pode se dar bem e fazer o que quiser na vida. Então, ele realmente se estressou em apenas cuidar de si mesmo. Muitas coisas podem acontecer morando em uma cadeira como nós, então ele fez questão de cuidar primeiro da sua saúde.”
“Fui tricampeão mundial, tinha 33 anos na época e, então, passando por essa mudança dramática em minha vida, não havia muitos rumos”, seguiu.
“Eu não tinha muitas pessoas com quem conversar, ou pessoas que eu respeito, que entendessem minha mentalidade no mundo das corridas. Frank, ele era um excelente corredor quando se machucou. Ver a coisa das corridas era uma maneira de colocar sua mente em movimento. Assim, a parte física segue.”
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