Dois dos principais campeonatos do automobilismo nacional inauguram neste final de semana o Autódromo de Santa Cruz no Sul, no Rio Grande do Sul. O Renault Speed Show by TIM engloba a Copa Clio e a Fórmula Renault, além da Fórmula-3 Sul-Americana que não terá corridas por todos os motores estarem na revisão. As provas do maior festival de velocidade do País começam com a Copa Clio neste domingo às 11h, com transmissão ao vivo na Rede Record. A Fórmula Renault completa a programação às 13h, com videoteipe às 14h na TV Bandeirantes.
A programação do Renault Speed Show by TIM em Santa Cruz do Sul começa nesta sexta-feira às 9 horas, com o primeiro dos dois treinos livres da Copa Clio. Na seqüência, os carros da Fórmula Renault entram na pista às 9h45 para a primeira sessão. As duas categorias fazem testes livres para o reconhecimento do autódromo e os treinos oficiais têm início às 12h30 com a Copa Clio.
“Para o Renault Speed Show by TIM, é uma excelente oportunidade de entrar para a história com a inauguração de outro autódromo no nosso País”, disse ex-piloto de Fórmula-1 Pedro Paulo Diniz, presidente da PPD Sports, promotora e organizadora do Renault Speed Show by TIM.
Na parte técnica, o Renault Speed Show by TIM tem novidades nos motores das duas categorias. Na Clio, no lugar dos propulsores usados até 2004 e que eram movidos à gasolina, serão utilizados os Hiflex de linha, movidos a álcool.
“O coração de qualquer carro de competição é o motor e na Copa Clio esse item tem recebido grande atenção. Neste ano de 2005 a novidade é a implantação de um motor bicombustível na Copa Clio, motor esse que já faz grande sucesso no mercado”, disse Carlos Col, presidente da Vicar Promoções Desportivas, empresa contratada pela PPD Sports para cuidar da parte relativa à pista de todas as corridas do Renault Speed Show by TIM.
Outra modificação importante na F-Renault acontece no item pneus. No lugar dos Michelin, usados nos três primeiros anos da categoria, estão os Pirelli fabricados no Brasil. Com isso, os custos da F-Renault caíram bastante, o que ajuda a aumentar o número de pilotos no grid. A Copa Clio também trocará os pneus da marca francesa pelos Pirelli nacionais, vendidos a preços mais baixos.
A partir da etapa em Brasília, os carros da Copa Clio têm freios a disco nas quatro rodas. Até a segunda rodada do ano, realizada no dia 10 de abril em Campo Grande, os Clio utilizavam freios a tambor. Por questões técnicas, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) definiu a necessidade de freio a disco também nas rodas traseiras da categoria formadora de pilotos para a Categoria Turismo.
Além de novidades técnicas, o Renault Speed Show by TIM vai dar premiação em dinheiro para os carros da Fórmula Renault que largarem em todas as etapas. Os carros terão de cumprir um mínimo de 75% das voltas programadas. Os pilotos que conseguirem completar o estabelecido pela organização em todos os eventos de 2005 acumularão na temporada um total de cerca de R$ 90 mil (US$ 30 mil) por equipe com dois carros. Esta é a primeira vez em quatro anos de existência que o Renault Speed Show by TIM dá esse tipo de premiação.
Como têm objetivos distintos de formação de pilotos em diversos níveis, cada categoria integrante do Renault Speed Show by TIM possui pontuação específica. Na Fórmula Renault, cujos carros têm potência de 193 HP, o vencedor pode acumular até 32 pontos numa só corrida: 30 pelo primeiro lugar, um pela pole position e outro pela volta mais rápida. A categoria escola estabelece pontos para os dez primeiros: 1) 30; 2) 24; 3) 20; 4) 16; 5) 12; 6) 10; 7) 8; 8) 6; 9) 4 e 10) 2 pontos. Em 2005 a F-Renault trocou os pneus franceses Michelin pelos nacionais da Pirelli.
A liderança da Fórmula Renault é de Felipe Lapenna, que venceu a corrida de abertura da temporada em Curitiba. O piloto da Full Time tem 94 pontos, contra 70 de Paulo Salustiano (M4T Motorsport) e 59 de Marcos Gomes.
Na Copa Clio, formadora de pilotos para a Categoria Turismo, a chegada do motor Hiflex movido a álcool é atração à parte. O novo propulsor, que vem direto da linha de montagem da Renault e tem 126 HP, substitui os do ano passado movidos à gasolina. Os carros da Copa Clio também terão pneus Pirelli. No quesito pontuação, um piloto pode marcar até 27 pontos por prova, pois a categoria também dá pontos extra para a pole position e para a volta mais rápida da corrida.
Na Copa Clio foi mantido o sistema de entrada do safety car quando a prova tiver a primeira terça parte completada. O safety car entra, reagrupa os carros e os cinco primeiros na volta anterior à entrada recebem, respectivamente, 5 pontos, 4 pontos, 3 pontos, 2 pontos e 1 ponto. A pontuação dos dez primeiros: 1) 20; 2) 15; 3) 12; 4) 10; 5) 8; 6) 6; 7) 4; 8) 3; 9) 2 e 10) 1 ponto.
A liderança do campeonato é de Cláudio Gontijo, que venceu a primeira corrida do ano em Curitiba e subiu no pódio nas outras duas etapas. O segundo colocado é José Cordova, ganhador em Campo Grande e em Brasília, seguido por Elias Jr., campeão de 2003.
AUTÓDROMO DE SANTA CRUZ DO SUL
Com a inauguração do Autódromo de Santa Cruz do Sul, com as corridas do Renault Speed Show by TIM neste domingo, o Rio Grande do Sul se iguala ao Paraná na quantidade de pistas de corridas. Cada um tem três circuitos. Agora, além de Guaporé e de Tarumã, os gaúchos poderão aproveitar em outra cidade do interior uma de suas maiores paixões, o automobilismo. Situada a 150 quilômetros de Porto Alegre, a capital do Estado, Santa Cruz do Sul tem como atividade principal o cultivo de fumo, o que a transforma numa das principais cidades do Sul do Brasil.
“Essa iniciativa da Prefeitura de Santa Cruz de incentivar o automobilismo com a construção de um autódromo é importantíssima para o esporte. Com mais pistas, teremos mais corridas e, com mais corridas, mais possibilidades de surgirem pilotos de nível internacional”, disse Pedro Paulo Diniz.
Apesar de o automobilismo ser o esporte que mais títulos mundiais deu ao País (oito), o Brasil ainda é carente de pistas. São 13 homologadas pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e 25 kartódromos, onde os pilotos dão os primeiros passos no mundo da velocidade. O último construído no Brasil foi o de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, em 2001. As outras pistas homologadas são: Curitiba, Cascavel e Londrina, no Paraná, Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, Autódromo Virgílio Távora, em Fortaleza, Autódromo de Goiânia, em Goiás, Autódromo Nelson Piquet, em Brasília, Autódromo de Caruaru, em Pernambuco e o de Interlagos em São Paulo.
“A entrega de mais um autódromo é importantíssima para todo o automobilismo brasileiro. Temos um crescimento das categorias nacionais, o que gera uma demanda por autódromos. O de Santa Cruz do Sul tem infra-estrutura muito boa, apesar de ainda não estar totalmente concluído. Uma característica desejável é uma parte atrás dos boxes que facilita as carretas encostarem e auxilia na descarga dos equipamentos”, disse Carlos Col.
A Prefeitura de Santa Cruz investiu R$ 15 milhões para entrar no seleto grupo de cidades com um autódromo. O mais antigo e ao mesmo tempo o mais moderno do Brasil é o Autódromo de Interlagos. Fundado em 12 de maio de 1940, a pista de 4.309 metros situada na Zona Sul da cidade de São Paulo é a única no Brasil preparada para receber a Fórmula-1, disputada na capital paulista desde 1990.
“É de grande importância para o automobilismo a construção de um novo autódromo, principalmente no Rio Grande do Sul, que é um Estado muito identificado com o nosso esporte. Espero que a nova pista possa receber grandes eventos, como o Renault Speed Show by TIM. Santa Cruz é mais uma praça a contribuir com o crescimento constante do automobilismo como um todo, um importante segmento de nossa economia que gera cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos”, disse Paulo Scaglione, presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).
A pista de Santa Cruz, no sentido anti-horário, tem 3.530 metros de extensão com oito curvas para a direita, seis para a esquerda e uma reta de 752 metros. O presidente da CBA, Paulo Scaglione, e Nestor Valduga, presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional (CTDN) e da Federação Gaúcha de Automobilismo, acompanharam desde o início a construção e elogiam a nova opção para as várias categorias do automobilismo brasileiro.
“O automobilismo tem de aplaudir a decisão de um governo municipal de investir uma quantia significativa como essa para entregar uma praça de esportes que promete ser uma das melhores do Brasil. Como acompanhei desde o início, senti como é difícil para um município construir um autódromo que vai dar retorno a médio e longo prazos”, disse Valduga.
Segundo dados fornecidos pela própria entidade, a CBA tem 7 mil pilotos filiados e gera 100 mil empregos diretos e indiretos com a manutenção das equipes, patrocínios e outros tipos de trabalho ligados ao automobilismo. Por ano, no Brasil, são realizados 300 corridas nos 28 campeonatos brasileiros entre provas no asfalto, na terra, arrancada e ralis. Com 17 federações filiadas, a Confederação Brasileira de Automobilismo computou 1,2 milhão de pessoas nos autódromos nacionais em 2004.
Todos os vencedores em provas de inauguração de autódromos no Brasil:
Interlagos (SP) – 12/5/1940 – Nascimento Júnior (Alfa Romeo 8C35)
Jacarepaguá (RJ) – 10/7/1966 – Carol Figueiredo (Willys 1300) Alpine A-110 modificado no Departamento de Competições da Willys
Curitiba (PR) 22/10/1967 – Emílio Zambello (Alfa Romeo GTA)
Fortaleza (CE) – 12/1/1969 – Lulu Geladeira (Puma VW)
Tarumã (RS) – 8/11/1970 – Jayme Silva (Fúria FNM)
Cascavel (PR) – 24/4/1973 – Divisão 4 – Alfredo Guaraná (Manta VW) – Divisão 3 – Celso Frare (Chevrolet Opala)
Brasília (DF) – 3/2/1974 – Emerson Fittipaldi (McLaren M23 Ford – F-1)
Goiânia (GO) – 27/7/1974 – Divisão 4 – Antônio Castro Prado (Avallone Ford) – Divisão 3 – Edgar de Mello Fº (Chevrolet Opala)
Guaporé (RS) – 17/10/1976 – Amadeu Campos (Bino TB F-Ford)
Londrina (PR) – 23/8/1992 – Affonso Giaffone Neto (Ralt RT33 VW F-3)
Caruaru (PE) – 13/12/1992 Maurício Monte (Voyage Marcas e Pilotos)
Campo Grande (MS) – 5/8/2001 – Wellington Cirino (Mercedes Benz Fórmula Truck)
Não foram consideradas provas em circuitos de terra (Cascavel e Guaporé) nem eventuais provas regionais que fizeram parte do programa de inauguração.